SARAPÓ WAKONÃ

 

" Prometo, no exercício de minha missão, com ajuda de EIU-KÁ, transmitir os ensinamentos do meu povo  com o objetivo de perpetuar a cultura indígena,a partir de uma análise crítica da realidade brasileira."

 LAGO SAGRADO DA ALDEIA MATA DA KAFURNA

  

   ESPAÇO ARAPUÁ MIRIM, ALDEIA CAFURNA

 

  CREPÚSCULO DA CAFURNA

SABEDORIA INDÍGENA,VALE APENA LER...

Lenda Indígena – Conflito entre dois lobos

Um velho cherokee dava lições de vida aos seus netos. Disse-lhes:
“Está se travando uma luta dentro de mim. Luta terrível, entre dois lobos.
Um é o medo, a cólera, a inveja, a tristeza, o remorso, a arrogância a auto-piedade, a culpa, o ressentimento, a inferioridade e a mentira.
O Outro é a paz, a esperança, o amor, a alegria, a delicadeza, a benevolência, a amizade, a empatia, a generosidade, a verdade, a compaixão e a fé.
A mesma luta está se travando dentro de vocês e de todas as outras pessoas…”
As crianças puseram-se a refletir sobre o assunto e uma delas perguntou ao avô: ” Qual dos lobos vencerá?”
O ancião respondeu:
” Aquele que for alimentado…”

 

POVO FORTE, É POVO UNIDO

 

  Dentro de um país enorme como o Brasil, e de um povo muito misturado, com vários costumes, religiões, sotaques e opiniões, é estranho para mim, entender o motivo de tanto egocentrismo por parte da maioria das pessoas. Parece que se assumem como povo, só quando tem jogo da seleção brasileira ou quando é carnaval, parece que não sabem da realidade que passamos, ou pior, estão pouco se lixando. Nosso país é rico demais pra ficar assim, vivemos um retrocesso na saúde, na segurança, no saneamento básico, na educação e principalmente na política. Desde que me entendo por gente, escuto as mesmas coisas, só muda a cara deles. As pessoas da cidade parece que não ligam mais, comentam entre sí aos resmungos, mas quando chega a copa do mundo gritam " eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor ", quando toca o hino, colocam a mão no peito, mas quando vê alguém com fome vira o rosto, muitos até falam: " e eu com isso! " 

  Dizem que o índio não é civilizado, mas em todas as etnias existe o respeito com os mais velhos e com as crianças, não poluimos rios nem derrubamos matas, durante milhares de anos a natureza se manteve exuberante e dominante. No passado, viviamos dos recursos da floresta, felizes e saudáveis, despreocupados com o amanhã e vivendo só o hoje, não tinha isso de minha terra, do meu pedaço disso ou daquilo, na verdade a terra que é nossa dona. Um dia, vamos voltar pra ela, mas, enquanto isso, temos que fazer coisas boas em cima dela. Existem muitas pessoas, no município de Palmeira dos índios AL, que dizem que não somos índios, que andamos de roupa, usamos suas tecnologias e tudo mais, não entendo isso, ora! primeiro invadem nossa terra, depois massacram covardemente nosso povo, impoêm o uso de suas vestimentas e sua língua importada, estigmatizam todos os povos com palavras de efeitos negativos como: índio é preguiçoso, programa de índio, índio é cachaceiro e muitas outras coisas, todo aquele município está dentro das nossas terras, as fazendas estão de posse de pessoas que não merecem te-las, pois não sabem cuidar da natureza, criam bois para vender, cabras , porcos, e o nosso povo não tem onde caçar, pescar plantar etc.., é com muita tristeza que vejo meus parentes Xucuru Kariri passarem por isso. Quantas mortes aconteceram desde que houve as iniciativas de retomarmos o que era nosso por direito, existia somente a aldeia Fazenda Canto, muitos indígenas estavam jogados na cidade sofrendo humilhação daqueles que invadiram nossas terras, e hoje temos essas sete aldeias graças a determinação, coragem e principalmente união de todos que participaram da luta. Infelizmente perdemos algumas lideranças como Maninha Xucuru, Gesivaldo e Ciço França, todos guerreiros que não fugiam da luta.

  Só poderemos mudar o rumo da história, com a participação efetiva da sociedade, através do contato direto com o nosso povo. Sabemos que é por meio da educação que poderemos fazer com que o homem da cidade entenda nossa cultura, pois não somos personagem de livros, somos reais, somos protetores da floresta, somos a verdadeira cultura do Brasil, somos garra, somos índios.

 

Bandeira da cidade de Palmeira dos Índios. O nome fala por sí, a sociedade de Palmeira dos Índios deveria valorizar mais a sua verdadeira cultura, respeitando e orgulhando-se da tribo Xucuru Kariri, pois este povo foi o primeiro a chegar nessa terra. Uma terra que foi tomada à força e consequentemente tingida de sangue inocente, terra de rica cultura e de povo trabalhador, que tem orgulho de dizer " eu sou palmeirense ".

PRAÇA DO AÇUDE 1930

 PALMEIRA DOS ÍNDIOS 1938

CRISTO DO GOITÍ